elielsantos
Site Admin Usuário: OffLine

Registrado: 20/12/07
Mensagens: 1514
|
Enviada:
Seg Fev 02, 2009 11:57 pm |
  |
Reinaldo Azevedo
Os petralhas — e alguns bobalhões — invadiram o blog para sustentar que os dados sobre segurança pública de São Paulo foram manipulados. É, vai ver... Vai ver o estado, há nove anos, vem maquiando os números, coisa que os demais estados, então, não fazem porque ou são governados por pessoas honestas demais ou tolas demais.
As reações são as mais desencontradas — tenta-se de tudo, menos o óbvio: reconhecer o trabalho eficiente da polícia. Porque uma das regras da imprensa ainda é atacar as “forças de repressão”. Tenham paciência!
Os que negam o bom trabalho da polícia têm duas posturas básicas: ou dizem, então, que os números são falsos ou procuram atribuir o resultado a fatores os mais exóticos. O ponto extremo desse exotismo está com o promotor Roberto Wider Filho, segundo quem há menos mortos porque o PCC proíbe execuções... Outros sustentam que isso é resultado do trabalho das... ONGs!!! Antes de estourar a crise econômica mundial, havia “especialistas” afirmando que a queda da criminalidade em São Paulo decorria do crescimento econômico — como se essa não fosse uma realidade contínua nos últimos nove anos. E nenhum deles responde o óbvio: todos esses fatores alegados também não estão presentes em outros estados? Por que a queda brutal de homicídios se deu em São Paulo? O que há de tão diferente no Estado? A resposta é uma só: eficiência policial, traduzida, especialmente, na massa de presos – quase 40% do total do Brasil, embora o estado tenha apenas 22% da população.
Ocorre que reconhecer a eficiência da polícia é coisa, vejam só!, de “fascistas”, de “neoliberais” talvez, de “direitistas” com absoluta certeza. Os socialistas, desenvolvimentistas ou esquerdistas parecem mais talhados a condescender com o “outro lado” — seria o dos bandidos? Alguns pretendem me encostar na parede com uma questão que lhes parece crucial: “Se o Brasil tivesse mais escolas, haveria menos presídios, certo?” Não! Errado. Presídios devem ser construídos para abrigar bandidos. E escolas devem ser construídas para abrigar estudantes. Assim como a cadeia é inútil para um aluno enquanto aluno, a escola é inútil para um bandido enquanto bandido. Não são termos permutáveis. De resto, é mentira que o Brasil prende demais. Prende é de menos. E, olhem que coisa!, onde prende mais, o crime é menor.
Laxismo e indulto
Sorte a nossa que São Paulo tem sabido resistir a esse laxismo do miolo mole, que impregna até mesmo a legislação. Basta ver o que acontece com o indulto de Natal concedido pelo presidente da República. Só em São Paulo, foram postos na rua mais de 18 mil presos. Dez por cento deles não voltaram. Vale dizer: a Polícia prende, o presidente da República põe na rua, e cumpre à mesma polícia, agora, correr atrás de quase dois mil bandidos — alguns já voltaram a delinqüir e foram recapturados.
Indulto de Natal? Quer dizer, então, que a generosidade é do presidente (de qualquer um, não só de Lula), e quem corre riscos é o homem comum, o que não é criminoso!? Que diabo de generosidade com a vida alheia é essa?
Vejam como sou perverso: sou aquele que defende que o homem comum tenha direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Estou ficando mais esquisito a cada dia...
Fonte: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
. |
|
|