Do what you want cause a pirate is free,you are a pirate †
André Felix forista sênior - 2º fase Usuário: OffLine
Registrado: 08/09/07 Mensagens: 1448 Localização: São Paulo - SP
Enviada: Sáb Nov 03, 2007 8:21 pm Assunto:
Eu acompanhei a minha mãe e meus irmãos mais velhos desde criança mas sempre mantinha um "plano secreto": "quando eu crescer quero ser mundano". Eu achava tudo muito chato - reuniões, serviço de campo, estudos e mais estudos. Também meu pai era extremamente crítico, minha mãe extremamente teimosa. Essa religião sempre foi sinônimo de brigas. Eu gostava de fazer discursos, de comentar, porque eu gosto de falar, de ensinar. Mas eu sabia que podia exercer esse meu gosto fora do salão do reino. Eu lembro como se fosse hoje. Já havia estudado tudo o que era livro - "Meu livro de Histórias Bíblicas", "Escute o Grande Instrutor", "Verdade que Conduz à Vida Eterna", "Venha o Teu Reino", "Poderá Viver para Sempre", etc. Teve uma época que a minha instrutora (minha própria mãe) resolveu dirigir estudo pra mim no incrivelmente chato "O Reino de Deus de Mil Anos"! Em 1984 meu irmão e minha irmã com idades próximas da minha resolveram se batizar. A expectativa era que eu me batizasse também. Eu não quis. Aliás uma semana após o congresso eu fui à reunião com uma calça jeans desbotada onde eu escrevi com caneta azul a palavra "FUNK"! Eu nem sabia o que era isso! mas eu queria ser bem "rebeldão"! Mas daí chegou 1985 e eu lá - não queria ir no campo, detestava ter que preparar A Sentinela com minha mãe e meus irmãos e até chorava para não ter que estudar o livro "O Reino de Deus de Mil anos".Fiquei até com inveja dos meus irmãos recém batizados pois eles foram dispensados do estudo! Lembro que minha mãe chegava cansada do trabalho, enquanto eu lia um páragrafo ela cochilava. Eu falava "mãe, a senhora tá dormindo!" Ela "não menino, só tô descansando os olhos". Nosso estudo era um porre. Mas um dia eu tive um sonho. Eu sonhei que minha mãe pedia para eu comprar um latinha de extrato de tomate. Na saída no mercadinho o tempo ficava todo escuro e começava a trovejar bastante. Eu perguntava a um amigo meu, vizinho: "o que é isso?" Ele que nem era TJ dizia: é o harmagedom, cara! Aí eu fiquei com medo:"caramba, e eu nem me batizei!" Depois, lá pelo mês de julho um ancião fez na Reunião de Serviço" um discurso sobre masturbação. O meu grande segredo! Eu fiquei muito agitado. Pensava:"Tô ferrado! Não me batizei, sou um tremendo de um Mister Thomas Turbando, não vou passar com vida no harmagedon".Antes disso eu havia planejado largar a Organização sem me batizar quanto eu começasse a trabalhar, daí quando eu visse a ONU destruíndo "Babilônia, a Grande" eu voltava e me batizava. Eu já tinha esquematizado tudo! Mas parecia que podia não dar tempo. Foi aí que eu tive uma idéia das mais tortas possíveis. Eu pensei:" se eu me batizar, Jeová vai "se agradar comigo", e ele vai até me ajudar". Eu até planejei levar um frasquinho para recolher secretamente parte da água do batismo para, sei lá, usar como um tipo de água benta milagrosa, afinal aquilo devia ter algo de santo, mágico, sei lá. Eu já tinha 14 anos de idade, mas era o sujeito mais "totoca" do mundo. Resumindo - no mesmo dia do discurso sobre "bater uma" eu dei meu nome para me batizar. Fiz a consideração com perguntas e respostas e me sai muito bem. Eu era, claro, o que mais falava! Aí pronto, entrei numa fria. Perdi o "fransquinho mágico" no vestiário do estádio do Morumbi, e deu tudo errado. Ainda peguei e li uma carta do grupo apóstata "Amigos de Jeová". É que tinha o timbre da Torre de Vigia e tudo! Bom, quanto àquele meu "problema" secreto, na semana após o batismo só faltou crescer cabelos na minha mão. Como eu era nojento! Se ao menos eu não tivesse perdido o "franquinho mágico"!
André Felix
Eu sempre gostei de ler e estudar, quando li a respeito da perspectiva de vida eterna na terra, enquanto as igrejas falavam sobre vida no céu, quis saber mais.
Eu confesso que fiquei fascinada, principalmente ao conheçer algumas publicações tjs, como o livro criação, toda escritura, o perspicaz, me achava super bem instruída e não entendia como as outras pessoas não acreditavam no que as tjs pregavam... Parecia ter uma respsotas para tudo: para a origem do mal, a doeça, violencia, etc... Sem contar que a promessa de vida eterna num paraiso terrestre, me era muito atraente. Eu adoro a natureza, ficava ansiando o tempo em que poderia aproveitar as belezas naturais....
Quando comecei a ter dúvidas já tava batizada e me sentia até culpada por está duvidando do ensino da STV, sempre tinha um irmãozinho amoroso, para me aconselhar a esperar em Jeová, e eu como uma idiota fiquei anos esperado, até que me cansei.
André Felix forista sênior - 2º fase Usuário: OffLine
Registrado: 08/09/07 Mensagens: 1448 Localização: São Paulo - SP
Enviada: Sáb Nov 03, 2007 9:13 pm Assunto:
Rose escreveu:
Eu sempre gostei de ler e estudar, quando li a respeito da perspectiva de vida eterna na terra, enquanto as igrejas falavam sobre vida no céu, quis saber mais.
Eu confesso que fiquei fascinada, principalmente ao conheçer algumas publicações tjs, como o livro criação, toda escritura, o perspicaz, me achava super bem instruída e não entendia como as outras pessoas não acreditavam no que as tjs pregavam... Parecia ter uma respsotas para tudo: para a origem do mal, a doeça, violencia, etc... Sem contar que a promessa de vida eterna num paraiso terrestre, me era muito atraente. Eu adoro a natureza, ficava ansiando o tempo em que poderia aproveitar as belezas naturais....
Quando comecei a ter dúvidas já tava batizada e me sentia até culpada por está duvidando do ensino da STV, sempre tinha um irmãozinho amoroso, para me aconselhar a esperar em Jeová, e eu como uma idiota fiquei anos esperado, até que me cansei.
É verdade. As publicações da Torre de Vigia são muito bem preparadas e passam uma ótima impressão. Também a perspectiva de viver para sempre num paraíso é muito confortadora. Apesar das dúvidas cheguei a sonhar vivendo no paraíso! Eu estava até criando um leão de estimação e morava numa casa com um jardim suspenso! Engraçado que no sonho eu não usava roupas sociais como nas ilustraçãoes da Torre. Eu usava aquelas rouponas que os árabes usam!! Lembro de ter escutado num discurso publico que nós humanos apenas usamos 10% da nossa capacidade mental. Que no paraíso usaríamos 100%. Se apenas com 10% o homem conquistou tanta coisa imagine com 100%!! Ele falou sobre viagens espaciais, sobre conhecer os segredos mais recônditos do universo e da natureza, de compreender de um modo perfeito todos os segredos sobre Deus. Coisas que a nossa mente limitada de hoje sequer pode conceber! Seria muito bom... mas infelizmente bom demais para ser verdade. Eu lamento muito, muito mesmo. Eu queria muito que fosse verdade. Pra mim é uma perda irreparável.
André Felix
pascoalnaib Administrador do Fórum Usuário: OffLine
Registrado: 21/05/07 Mensagens: 4610 Localização: Fortaleza - CE
Enviada: Qua Ago 06, 2008 5:57 am Assunto: Re: Por que aceitamos na época, ser Testemunhas de Jeová?
pascoalnaib escreveu:
Bem, a maioria de nós quando adentrou as Testemunhas de Jeová, não tinha nenhum desvio de conduta psicológica, então o que nos chamou atenção? Nesse caso principalmente para quem escolheu entrar, pois existem pessoas que já nascem numa família de Testemunhas e a sua aspiração e motivação vão ser diferentes, podemos até depois trocar idéias sobre esse caso em especial.
Bem, mas retornando o assunto: o que nos fez aceitar como verdade tudo o que a Torre de Vigia tinha como doutrina? Bem, poderíamos citar: busca de segurança e de certezas, superar algum problema particular, necessidade de guias espirituais, a convicção de ter razão sobre algum assunto. Podemos fazer dessa lista algo interminável, mas tudo isso que foi dito, provém de algo maior, algo que é imanente, que é do gene do ser humano, que está embutido em nosso ser.
Me deixei levar mais pela emoção, guardando a razão no bolso.
Era uma época difícil, emocionalmente falando, quando as TJ chegaram a mim e me deram toda aquela atenção que vocês conhecem.
Me senti muito bem e queria de alguma forma demonstrar gratidão.
Foi então , depois de algum tempo , que resolvi retirar a razão do bolso...
Basicamente isso. _________________ Não há nada melhor do que a liberdade.
Registrado: 12/02/08 Mensagens: 375 Localização: São Paulo
Enviada: Qua Ago 06, 2008 7:55 am Assunto:
Me tornei TJ numa fase da minha vida em que me via sem rumo, sem ideal de vida. Depois de muitas vezes meu primo oferecer um estudo, acabei aceitando e me vi deslumbrado com tantas coisas que para mim eram novidades se tratando de conhecimento bíblico. Promessas de um novo mundo, livre das aflições da vida. Acreditei que me tornando TJ muitos dos meus problemas iriam ser solucionados com ajuda de Deus...pura ilusão.
Hoje estou aqui, afastado ha 3 anos e sem pretenção alguma de voltar.
Eu, infelizmente, nasci lá dentro, minha família toda já era TJ.
Como dizia o personagem do Capitão Gay, o Carlos Sueli, Carlos por imposição, Sueli por opção, vou plagiá-lo e direi: fui TJ por imposição e hoje sou Agnóstico por opção.
Como é bom pensar sozinho, sem depender de ninguém (leia-se Torre).
Embora tenha começado menino a me associar, nunca me senti pressionado a ser quem eu era e sou. Quando me dediquei e me apresentei para o batismo, não pensava no Armagedom ou no que alguém diria, ou no local onde eu recebia a atenção e consideração que necessitava. Eu me lembro de ter orado a Deus, dizendo que aquele símbolo em águas significava meu amor e estima por ele, que as águas significavam que formalmente eu pertencia apenas a ele.
Deve ser por isso que nunca me arrependi de ter me batizado, pq não pensava naquele momento em me tornar parte de uma Organização, mas pensava que naquele momento eu era um cristão. Para mim não significava uma nomenclatura, significava ser como Cristo, significava estar próximo de Deus.
Portanto, foi esse o motivo da minha escolha, mesmo que me desassociem de ser testemunha-de-jeová, não podem me desassociar de ser o que de fato me tornei, um cristão.
Não lamento o tempo que me dediquei e o que evitei por ser, não consigo sentir ódio, rancor ou tristeza ao olhar para o tempo passado.
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