Comecei dizendo que não é deixada como escolha pessoal uma testemunha de Jeová aceitar ou não transfusões, Tal conceito é imposto a ela, por um corpo governante, ou assembléia legislativa das testemunhas de Jeová, situado em Brooklin NY, que em hipótese alguma deve ser contestado, não sendo assim um processo democrático, mas autoritário. Se um membro da religião não acredita que estaria violando uma norma de deus ao tentar salvar sua vida por meio do já mencionado tratamento, mesmo assim deveria rejeitá-lo sob pena de expulsão, excomunhão ou como dizem desassociação
Concordo que temos a liberdade de escolha em como viver e como morrer, mas segundo a brilhante explanação de Karl, não ocorre bem isso com adeptos das Testemunhas de Jeová, pois trata-se de um dogma imosto a eles!
Parabens, Marx. Achei extremamente valido este argumento seu diante de tantas autoridades. Algum destes juizes, podera se deparar com um pedido de sangue por algum medico afoito em salvar a vida de seu paciente, e se lembrará da sua argumentação, levando a em conta na hora de tomar a decisão
Não quero ser o espírito de porco da turma, mas posso dizer algo?
Visto não conhecer muito sobre Direito, tentarei ser direto e conciso.
Karl defendeu de maneira louvável o direito fundamental a vida e deu atender, para mim, que esse direito se sobrepõe ao direito da dignidade humana e por isso o médico não deve deixar a critério do paciente Testemunha de Jeová a opção de aceitar ou não a transfusão. O paciente assim, pelo que eu entendo, não possui o direito de decidir morrer
Não tive tempo de ler a resposta do Karl e pode ser que, das duas uma, repita o que ele já disse ou esteja totalmente enganado.
Não entendi a defesa do Karl como uma defesa para que os médicos imponham uma transfusão a quem não a deseja!
Mas eu entendi que o Karl deixou claro que não há, no caso de uma Testemunha de Jeová, a possibilidade dela permitir se submeter a uma transfusão.
O que as Testemunhas de Jeová sabem é que são obrigadas a recusar a transfusão, caso contrários serão penalizadas pela sua liderança.
O Karl defendeu que se desse às Testemunhas o direito de esolha real não fictícia, apenas "para inglês ver", como faz a ACTJ, quando escreve uma coisa nas publicações, principalmente aquelas destinadas ao público de fora da religião, mas que, internamente, não está de acordo com as instruções que ela dá, confidencialmente, às lideranças locais (os anciãos congregacionais).
Nas revistas e cartas para o público, a Torre de Vigia declara que aceitar ou não uma transfusão não é uma ordem do Corpo Governante, mas uma decisão pessoal que depende da consciência da Testemunha em questão. Isso para o público de fora.
Para os anciãos a ordem é curta e grossa: Desassociar quem aceitar uma transfusão de sangue!
O que o Karl defendeu foi que as Testemunhas tivessem de fato o direito de decidir se querem ou não se submeter a uma transfusão de sangue.
Se um dia isto fosse possível, nem você, James, nem nós estaríamos aqui conversando a respeito desse assunto, pois se "suicidaria" quem o desejasse e os que não desejassem poderiam evitar essa morte estúpida e sem sentido.
Esperei realmente ansioso pelo seu post, pois parece que vc conhece bem do assunto, inclusive das implicações legais e sociológicas da questão.
Mas sobre isso tenho realmente pouco a dizer, pois conheço o assunto e discussões legais da maneira de um observador curioso. Consigo dar minha opinião não-acadêmica sobre o que realmente sinto quando o assunto é legislar sobre escolhas que eu considero extremamente pessoais. É um assunto espinhoso e de longas e demoradas palavras para todos os envolvidos. Penso que se o caso for de o não ter o direito a escolha de morrer, criará uma série de outros problemas igualmente legais e (ou) sociológicos, como por exemplo, a pessoa não procurar um medico por receio de que seja “violado” o que ela acha ser o seu próprio direito de escolha.
Fiquei com receio de que o meu post parecesse que defendo o direito da pessoa fazer tudo o que crê ser correto. Minha posição com respeito a isso não é idealista ou utópica. Não me quis dar a entender dessa forma, mas disse aquilo devido ao contexto envolvido, o direito ou não a escolha de morrer.
Mas também, embora não tenha dito, fiquei feliz por sua posição corajosa em expor (e se expor) a posição dogmática e ditatorial do CG na frente e em frente a todos. Espero que tenha sorte caso a foice da Torre chegue.
Enfim, concordo que a opção das Testemunhas é meio mandrake (embora nunca totalmente) é que só tenho dúvidas sobre quando legislam sobre questões que em minha opinião são (novamente dizendo) extremamente pessoais e isso por mais semântica que haja nas palavras.
Muito obrigado mesmo pela resposta e pela informação adicional, Karl!
Esclareceram muitas coisas para mim.
Vc foi brilhante!!!
Em que período está?Estou tendo aulas de direito constitucional agora, mas já tivemos esta mesma discussão nas aulas de D. civil...
O direito à vida se sobrepõe ao da Dignidade humana...
O que é dicutido não é o direito que a pessoa tem de morrer, pois se tal direito fosse facultativo poderíamos ter no Brasil a eutanásia, que é a vontade de alguem em por fim à sua vida...Lembrando que é crime ajudar alguem a cometer eutanásia, suicídio, etc...
Sendo assim não é facultativo ao indivíduo viver ou morrer em tais casos.
Em se tratando das TJ o caso é ainda pior para os medicos envolvidos.Por exemplo: Se um "irmão" decide não tomar sangue e vem a falecer e a familia de tal pessoa não é tj o médico pode ser processado , pois deixou de utilizar tudo que estava ao seu alcance para salvar uma vida!
Isso ainda é agravado quando se tem sob a tutela os filhos incapazes.
Como uma pessoa pode decidir sobre a vida de outra? Os pais tem a tutela dos filhos e não sua vida nas mãos....
Escelentes argumentos Karl.Muito interessante tal congresso...Gostaria de estar presente pra ver a cara dos presentes....
Registrado: 08/07/07 Mensagens: 1800 Localização: Vitória da Conquista, Bahia
Enviada: Seg Mar 31, 2008 6:02 pm Assunto:
Rô, o Karl é calouro, entrou na facul há cerca de um mês. Mas é um menino aplicado, e já vem estudando vários livros da área de Direito há algum tempo. Sempre batemos altos papos via msn, sobretudo filosóficos. Esse garoto vai longe... _________________ "E comecei, a sós comigo, a fazer barcos de papel com a mentira que me haviam dado." - Bernardo Soares
Karl Marx, a exemplo de vc tbm não posto muito, mas costumo ler quase tudo e não podia deixar de te dizer MUITO OBRIGADO pelo que vc fez.
Fiquei emocionado com o relato. Você disse tudo o que eu gostaria de ter dito se estivesse presente. Admiro sua coragem e lucidez. Abraços. _________________ So say we all.
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