Os anos do compromisso. A Igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a Ação Católica não se deixe tentar por ações antifascistas.
Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889.
O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados que “A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado e persistiu no erro, no entanto já pagou”. Para mostrar que não se arrepende de nada a Igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de G. Bruno, nomeando-o “Doutor da Igreja”.
Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição.
Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a Igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder.
Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único. Hitler declara-se católico no “Mein Kampf”, o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um “instrumento de deus”. (Já ouviram isso em algum lugar? )A Igreja católica nunca colocou no seu Índex o “Mein Kampf”, mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava à Igreja.
Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs e reintroduzindo a frase “Gott mit uns” (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão.
Em 1938, as SS e SA organizam a “Noite de Cristal”: com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: “Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim”.
Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A Igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo.
A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Na França, a Igreja declara, desde 1940, que “Petain é a França”: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram.
Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria “pior”.
No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter “a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres”, é verdade que o papa não habitava em Londres... _________________ [b:4855e7a905]
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O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais. Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC – Democrazia Cristiana).
O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90. _________________ [b:4855e7a905]
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Última edição do Índex (Índex Additus Librorum Prohibitorum), que cita como autores cujas obras são proibidas de leitura pelos católicos entre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide.
Encontrado manuscritos antigos no Egito, dizendo que Judas, uma das figuras mais repudiadas da História, não seria o traidor que vendeu Jesus a seus oponentes por algumas moedas de outro, mas o discípulo a quem foi designada a mais difícil missão: entregar o mestre em sacrifício. É exatamente isso que sugere o "Evangelho de Judas", um documento de 26 páginas, datado de 300 d.C. (depois de Cristo), que teve a sua autenticidade anunciada.
O manuscrito foi encontrado no Egito em 1978, a National Geographic Society anunciou o término da sua restauração e tradução. Escrito em cóptico (idioma egípcio antigo), o "Evangelho de Judas" é considerado por alguns pesquisdores das escrituras sagradas como a mais importante descoberta arqueológica dos últimos 60 anos.
As análises de carbono 14, a tinta, o estilo de escritura e o conteúdo levaram à conclusão de que se trata de um texto escrito por volta do ano 300 d.C.
A única cópia do evangelho foi descoberta em codex, um código antigo, anterior aos livros, que data do terceiro ou do quarto século depois de Cristo (d.C.). Acredita-se que o documento seja, na verdade, uma tradução do original, um texto grego escrito por uma seita cristã antes do ano 180 d.C. A Bíblia descreve Judas Iscariotes, um dos doze Apóstolos de Jesus, como traidor. De acordo com o Novo Testamento, Judas teria entregue Jesus aos seus oponentes, que o crucificaram. Segundo o "Evangelho de Judas", no entanto, a atitude do Apóstolo teria sido incentivada por Jesus.
- Este longo Evangelho, escrito sob a perspectiva de Judas Iscariotes - considerado por 20 séculos e por centenas de milhares de pessoas como um traidor da pior espécie - apresenta uma visão completamente diferente da apresentada na Bíblia - afirmou Rodolphe Kasser, sacerdote e ex-professor da Faculdade de Artes da Universidade de Genebra, na Suíça.
A existência do "Evangelho de Judas" já era conhecida por um referência feita pelo bispo Irineo de Lyon no ano 180 d.C., em seu tratado "Contra a heresia".
O evangelho começa assim: "O relato secreto da revelação que Jesus fez em conversas com Judas Iscariote durante uma semana antes da celebração da Páscoa". Jesus diz a Judas no livro: "Tu superarás a todos eles. Tú sacrificarás o homem que me abriga".
Nele Judas é descrito como "o único discípulo que conhece a identidade verdadeira de Jesus", segundo George Wurst, professor da Universidade de Augsburg, na Alemanha.
Ele não o traiu, "mas só fez o que Jesus pediu", afirmou Craig Evans, professor de Novo Testamento da Acadia Divinity College, no Canadá.
O texto se enquadra na tradição dos cristãos gnósticos, que enfatizavam a importância do conhecimento - gnosis, em grego. Não se trata do conceito atual de conhecimento, mas sim de um conhecimento espiritual, do divino dentro do ser humano, que permite que a essência da pessoa escape da prisão do corpo e se eleve ao espaço celestial.
Por isso, Judas, ao entregar Jesus à morte, facilita sua saída do corpo e a libertação da divindade que carregava dentro de si, segundo explicou Wurst.
Evans lembra que em duas ocasiões Jesus fez pedidos em privado a dois de seus discípulos, segundo o Novo Testamento.
- É possível que o Evangelho de Judas tenha sido preservado na memória e que os outros discípulos não o conhecessem - disse.
Elaine Pagels, professora da Universidade de Princeton (EUA), destaca que os quatro Evangelhos aceitados pela Igreja Católica relatam os atos públicos de Jesus, mas não conversas privadas.
O padre Donald Senior, presidente da União Católica de Teologia dos EUA, disse que este texto não tem ligação com qualquer tradição histórica.
Em sua opinião, o documento usa os personagens dos livros canônicos, mas "é uma expressão de uma teologia específica", a gnóstica, em suas concepções de corpo humano e criação, que são muito diferentes das dos Evangelhos aceitados pela Igreja Católica.
Quem escreveu o "Evangelho de Judas" continua sendo um mistério. Em nenhum lugar é dito que foi Judas, mas isso não deveria derrubar sua veracidade, pois a autoria dos Evangelhos do Novo Testamento tampouco foi assegurada.
Judas, o homem que, por 30 moedas, entregou Jesus aos soldados que o crucificaram, não seria um traidor mas sim um herói. Esta interpretação da historia pode ganhar força graças a um antigo documento que só agora está sendo traduzido. Sua publicação, prevista para abril, já causa polêmicas e divide os católicos.
O manuscrito, em copta, é do século quatro e foi descoberto nos anos 70, no Egito. Desde então passou por várias mãos e muitas aventuras, até chegar aos cofres da fundação Maecenas for Ancient Art (Mecenas para Arte Antiga), de Basiléia, Suiça (atual proprietária, em sociedade com a National Geographic).
O texto, mantido sob sigilo, está sendo traduzido para inglês, francês e alemão por Rudolph Kasser, considerado como o maior especialista em língua copta do mundo.
Apócrifo
Quanto ao conteúdo, segundo estudiosos que tiveram acesso à copia de alguns trechos, não há duvidas. O código transcreveria o "evangelho de Judas", um apócrifo do século um. Os evangelhos são a principal fonte de informações sobre Jesus Cristo. A igreja reconhece quatro, que define como canônicos: Mateus, João, Marcos e Lucas.
Os apócrifos não têm autoridade canônica, mas influenciaram a interpretação da história e a maneira como ela foi reproduzida através da arte. Na opinião de alguns estudiosos, o documento poderá revolucionar o modo de entender a primeira fase do cristianismo. E dar uma nova imagem ao homem que traiu Jesus com um beijo.
O "evangelho de Judas" teria sido escrito por membros da seita gnóstica cainita, um movimento religioso cristão que misturava misticismo e filosofia e influenciou grupos heréticos.
Na visão dos cainitas, Judas Iscariotes teria seguido um desígnio divino e não podia fugir de seu destino. A traição faria parte do plano de Deus, era necessária, e sem ela não haveria salvação para os homens.
Confirmações
A existência desse evangelho e sua interpretação da figura do apóstolo, considerado maldito, é comprovada por diversos autores, entre eles S. Irineu, no texto Contra as Heresias, escrito em 180. Segundo o monsenhor Walter Brandmuller, presidente do Comitê de Ciências Históricas do Vaticano, os cainitas achavam que o mundo era expressão do mal. O bem, existia apenas na dimensão transcedental.
"Consideravam em modo positivo todas as figuras negativas das escrituras sagradas hebraicas e cristãs. Uma forma de oposição ao deus criador deste mundo, um deus mau, que ignorava o Deus verdadeiro", disse à BBC Brasil. Monsenhor Brandmuller nega, contudo, que o Vaticano esteja promovendo uma campanha para reabilitar Judas.
O novo documento, que define como uma espécie de "ficção histórica", não deve provocar grandes mudanças, em sua opinião. "Será um testemunho precioso para conhecer melhor o cristianismo primitivo", afirmou.
Outros católicos consideram importante uma revisão da figura que acabou por se tornar sinonimo de traição e que ainda hoje é simbolicamente castigada, através da "malhação de Judas", no Sábado de Aleluia.
Possuído
Para Lucas e João, Judas traiu porque estava possuído pelo demônio. O escritor Vittorio Messori acredita que o manuscrito copta pode dar um impulso na reabilitação de Iscariotes.
Segundo o autor de vários livros sobre a Igreja Católica e amigo de João Paulo II, esta revisão é necessária. Resolveria, segundo ele, um problema aberto de justiça e misericórdia de Jesus, que teria perdoado a covardia de Pedro, mas não a traição de Judas.
"No evangelho apócrifo, Judas se arrepende. Jesus o perdoa e manda para o deserto, fazer exercícios espirituais. Nos evangelhos canônicos ele se suicida. Não há sinal de perdão, apesar de Jesus ter ensinado a perdoar os próprios inimigos¿, afirmou Messori para o jornal La Stampa.
A idéia de um desígnio divino não é novidade, na avaliação de Alberto Mellone, professor de historia da Igreja Católica. "Esta interpretação faz parte de uma catequese difusa", disse para a BBC Brasil. Mellone descarta também que a figura de Judas tenha tido alguma influência no surgimento e enraizamento do antisemitismo.
Alguns estudiosos defendem esta hipótese e acreditam que uma reabilitação da figura de Judas possa contribuir para o dialogo entre católicos e judeus. "O antisemitismo cristão nada tem a ver com Judas mas com os sacerdotes de Israel. Baseou-se na acusação de assassinato de Jesus e não em sua delação", afirmou Alberto Mellone.
Um contexto sinistro permeia as descrições tradicionais de Judas. À medida que o cristianismo desvinculou-se de suas origens como uma seita judaica, os pensadores cristãos foram julgando cada vez mais conveniente culpar os judeus, como povo, pela prisão e execução de Cristo, e assim pintar Judas como o judeu arquetípico. Os quatro evangelhos, por exemplo, tratam com brandura o governador romano Pôncio Pilatos, mas condenam Judas e os altos sacerdotes judeus.
O manuscrito secreto mostra-nos um Judas muito diferente. Ele é um herói. Ao contrário dos outros discípulos, realmente compreende a mensagem de Cristo. Quando entrega Jesus às autoridades, está fazendo o que seu mestre pediu, sabendo o destino que irá acarretar para si mesmo. Jesus o avisa: Serás amaldiçoado.
A mensagem é chocante o suficiente para despertar suspeitas de fraude, coisa comum em se tratando de artefatos que se dizem bíblicos. Foi o caso de uma caixa vazia de calcário que supostamente continha os ossos de Tiago, irmão de Jesus. Ela atraiu multidões quando foi exibida em 2002, mas logo se revelou uma engenhosa falsificação.
Um Evangelho de Judas é obviamente mais atraente do que uma caixa vazia, mas até o momento todos os testes confirmam sua antiguidade. A National Geographic Society, que está contribuindo para financiar a restauração e a tradução do manuscrito, encomendou a um renomado laboratório especializado da Universidade do Arizona a datação por carbono do livro de papiro, ou códice, que contém o evangelho. Testes com cinco amostras separadas do papiro e da sua encadernação de couro datam o códice entre 220 e 340 d.C. A tinta parece ser uma mistura feita com noz-de-galha, vitríolo, goma e fuligem. Especialistas em copta afirmam que modos de expressão reveladores encontrados no evangelho indicam que ele foi traduzido do grego, língua na qual a maioria dos textos cristãos foi escrita nos dois primeiros séculos desta era. Nós todos nos sentimos à vontade situando a origem desse texto no século 4, declarou um especialista.
Uma confirmação adicional vem do passado. Por volta de 180 d.C., Irineu, bispo de Lyon na Gália Romana, escreveu um volumoso tratado intitulado Contra as Heresias. O livro era uma censura feroz a todas as concepções sobre Jesus que diferiam das apresentadas pela Igreja tradicional. Entre os que ele criticou estava um grupo que reverenciava Judas, o traidor, e que criara uma história fictícia à qual chamam Evangelho de Judas.
Pelo visto, décadas antes de o manuscrito hoje nas mãos de Rodolphe Kasser ser escrito, o irado bispo sabia sobre o texto original em grego.
Irineu estava às voltas com uma profusão de heresias. Nos primeiros séculos do cristianismo, o que chamamos de Igreja, operando por meio de uma hierarquia de padres e bispos, era apenas um de muitos grupos inspirados por Jesus. O estudioso da Bíblia Marvin Meyer, da Universidade Chapman, que ajudou na tradução do evangelho, resume a situação com uma frase: O cristianismo em busca de seu estilo.
Um grupo chamado ebionitas, por exemplo, pregava que os cristãos deviam obedecer a todas as leis religiosas judaicas, enquanto outro, os marcionitas, rejeitava qualquer relação entre o Deus do Novo Testamento e o Deus judaico. Alguns afirmavam que Jesus fora inteiramente divino, contradizendo outros, para quem ele fora completamente humano. Dizem que uma outra seita, os carpocracianos, praticava a troca de casais ritualizada. Muitos desses grupos eram gnósticos, seguidores da mesma linha do cristianismo nascente refletida no Evangelho de Judas.
Gnose, em grego, significa conhecimento, explica Meyer. Os gnósticos acreditavam que existe uma fonte suprema de bondade, que chamavam de mente divina, fora do universo físico. Os humanos trazem uma centelha desse poder divino, mas não a podem acessar, impedidos pelo mundo material que os cerca. Esse mundo imperfeito, na concepção dos gnósticos, era obra de um criador inferior e não do Deus supremo.
Enquanto cristãos como Irineu salientavam que apenas Jesus, o filho de Deus, era ao mesmo tempo humano e divino, os gnósticos afirmavam que pessoas comuns podiam ligar-se a Deus. A salvação requeria despertar aquela centelha divina no espírito humano e reconectá-la à mente divina. Para isso era preciso a orientação de um mestre, e esse, segundo os gnósticos, era o papel de Cristo. Os que compreendessem sua mensagem se tornariam tão divinos quanto Cristo.
Eis a razão da hostilidade de Irineu. Aqueles homens eram místicos, diz Meyer. E os místicos despertam a ira da religião institucionalizada. Ouvem a voz de Deus dentro de si e não precisam de um sacerdote para interceder por eles.
Irineu começou seu livro após voltar de uma viagem e encontrar seu rebanho em Lyon sendo subvertido por um pregador gnóstico chamado Marcus, que estava incentivando seus iniciados a demonstrar o contato direto com o divino por meio de profecias. Quase tão escandaloso era o visível sucesso de Marcus entre as mulheres do rebanho. A iludida vítima do pregador, escreveu Irineu, irritado, impudentemente profere algumas bobagens e então se considera profeta!
Sobre Judas e sua Missão, leiamos o que nos ensina o VM Samael Aun Weor sobre diversas seitas gnósticas destruídas pela "Santa" Inquisição e logo em seguida, o que Ele comenta acerca do Mestre Judas de Kariot, ou Iscariotes .
Depois vem outra seita gnóstica que existiu na Europa. Também muito importante era a seita dos Iscariotes, partidários de Judas Iscariotes. Também foram queimados nas fogueiras sem consideração alguma. A Santa Inquisição tomou conta deles. Mas, quem eram os Iscariotes?
Tenha-se em conta que Judas, o apóstolo do divino Nazareno, não foi como dizem um traidor. Isso foi uma calúnia que se levantou contra o apóstolo. Judas Iscariotes foi o melhor discípulo de Jesus. Era um grande hierofante que desempenhou seu papel no Drama Cósmico, esse drama que se representou em todas as épocas e em todas as idades. Ele o aprendeu e o executou de memória, O Drama Cósmico faz parte do evangelho cristão. Esse drama foi trazido pelos Elohim à Terra, veio de outras esferas.
Judas não queria representar esse papel, ele queria o papel de Pedro. Porém, Jesus já o havia escolhido para o papel de Judas. De maneira que cada um dos doze aprendeu seu papel de memória. E uma obra de arte, uma obra dramática. Cada um teve de aprender seu papel de memória e a Judas coube esse papel e teve de o aprender. Ensaiou-o muitas vezes para que coincidisse com as sagradas escrituras; tinha de ser perfeito.
Pergunta: Para a gnose, ao cumprir com esse papel, Judas não recebeu karma?
Samael: Ao contrário, ganhou dharma aos milhões, por toneladas. Judas Iscariotes é um grande Mestre. Ele não queria aquele papel. Ele nada mais fez do que repetir o que havia aprendido de memória. Como tinha de o fazer, tinha de ser exato, preciso, no momento oportuno. Tudo tinha de ser perfeito, de acordo com o drama. Porém, ele não traiu Jesus jamais. Ele foi seu melhor discípulo. Judas não somente chegou até aí como ainda desceu ao abismo e vive nos mundos infernais. Quando eu entrei no abismo para o visitar, vi que o suspendiam e lhe punham cordas. Ele se deixava suspender com a humildade única de quem matou o Ego. Ele não tem Ego e vive ali no abismo, fazendo o que? Lutando para salvar os perdidos, aos que não têm mais remédio. E como um raio do Cristo perdido no abismo, sofrendo pelos perdidos.
É algo extraordinário! Ninguém sabe até onde chegou Judas. Se há um homem que ganhou o direito de entrar no Absoluto Imanifestado, esse é Judas Iscariotes. Nenhum de nós serve para descalçar Judas nem eu mesmo me julgo capaz de lhe tirar os calçados. Ainda não me sinto capaz de fazer o que Judas fez. Não me sinto capaz e não sei se algum de vocês se sentiria capaz. Isso de viver no abismo renunciando a toda felicidade... Desprovido de Ego e, no entanto, vivendo no abismo, tratando de salvar aos perdidos. Sequer no mundo físico o consideram. Odiado pelas multidões e toda essa questão de ser considerado um traidor, quando a única coisa que fez foi obedecer ao Senhor! Ninguém, nem remotamente, suspeita o que é o sacrifício de Judas pela humanidade. Ele foi o único que não teve honras. Para ele não houve louvores.
Ninguém o elogiou... Quão morto não está seu Ego! De maneira que ele é o melhor dos discípulos que Cristo tem. Bem, agora, quanto ao corpo da doutrina dos iscariotes, é extraordinário. Eles estudaram o corpo da doutrina de Judas: a morte total do Ego. Todos os mistérios de Judas têm de ser vividos no mundo causal.
(...)
Essa seita gnóstica dos iscariotes foi perseguida na Europa pela Inquisição. Os membros da seita dos iscariotes foram queimados vivos nas fogueiras que ardiam na Europa. De maneira que vocês estão ouvindo coisas terríveis, não é verdade?
Depois de um período de aparente liberalização, o papa João Paulo II chega à cabeça da maior religião do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da Igreja. A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a Aids, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar.
No gráfico, mostra que após os anos 80, o índice de Aids aumenta:
Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no terceiro mundo. As conseqüências são difíceis de contabilizar, mas podem ser medidas em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres – América do Sul e África.
Na sua caça aos hereges, o papa suspende “A divinis”, dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um da infalibilidade papal, e outro da imaculada concepção de Maria. ( No Brasil também interditou e puniu diversos padres mais ousados, como Leonardo Boff.) _________________ [b:4855e7a905]
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