Realmente não entendo o que acontece com a Torre quando o assunto é "contribuição".
Lembro que quando eu era servo de contas as contribuições não passavam de 400 reais por mês. A conta de uma das congregações que se reuniam no nosso Salão nunca passou de 1.500 reais.
Nos últimos três anos em que estou na ICAR e que tenho ajudado nas "contas" da paróquia a distorção nesse aspecto é impressionante.
Se arrecada por volta de 1000 a 1500 reais por final de semana. Só nos três finais de semana da festa junina tivemos uma renda de 150.000 e uma despesa de 40.000. Ou seja, o lucro para a paróquia ainda é grande.
E o mais estranho (se é que posso encarar assim) é que não se pede dinheiro de forma direta como na Torre. Na Torre embora se diga que não há dízimo, as contribuições "voluntárias" são altamente incentivadas. Eu mesmo quando ancião, fiz várias partes dando esporro na Congregação pois não tínhamos dinheiro pra enviar pra Betel.
Na ICAR realmente há o momento em que se "passa a sacolinha". Eu nunca coloquei mais de 1 real. Ou seja, quatro missas por mês, eu geralmente contribuo com 4 reais mensais.
Lembro que nos 15 anos que fui TJ fui muito hipócrita, pois descia a lenha na congregação pedindo contribuições enquanto eu mesmo nunca dei um centavo.
Lembro que nos 15 anos que fui TJ fui muito hipócrita, pois descia a lenha na congregação pedindo contribuições enquanto eu mesmo nunca dei um centavo.
Não se auto-condene. Geralmente, para sermos TJ, quase todos nós tivemos que ser hipócritas. Hoje vejo que a igreja católica (a quem eu encarava como a maior de todas as vilãs de babilônia a grande) é uma religião bem mais humana. Se deus existe, dá mais atenção ao povo de lá (não estou falando da maioria dos clérigos... os leigos fazem muito mais pela igreja) _________________ Nada pode perturbar mais do que "olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa."
Não diria que a ICAR é mais humana, porém digo que ela tem mais bom senso no tratamento das pessoas que lá frequentam.
Se um padre descer o pau no Vaticano, dizer que não concorda com os dogmas etc, o máximo que vai acontecer é tomar uma "bronca". Não será "desassociado" e não terá "comissões judicativas" no seu pé...
Eu também sempre achei que a ICAR era a besta-fera tão falada pela Torre, mas depois vi com meus próprios olhos que o diabo não é tão feio quanto o pintam.
Um exemplo.. pelas leis "canônicas" do Vaticano, um divorciado que se casa novamente, vive em pecado e não pode comungar e nem participar das atividades da sua paróquia (ter "privilégios"). Pois bem, me bastou uma conversa sincera com o bispo e a autorização veio sem problemas.
Já um Tj que foi dessassociado por fornicação e cuja esposa ainda é Tj e venha a ser readmitido provavelmente nunca mais terá um privilégio congregacional. Sem contar aqueles que serão desassociados se admitirem ter tomado sangue ou terem tido relações sexuais antes do casamento.
Sem contar aqueles pobres coitados que nem podem carregar um microfone, porque alguma irmã fofoqueira espalhou algum boato.
Tenho muitos amigos padres.. quando quiserem posso partilhar a maneira como a ICAR lida com os "pecadores", tendo muito mais bom senso que a Torre.
Um amigo meu, pertencente a essa tradicional denominação religiosa desde à sua infância, ficou viúvo mais ou menos aos quarenta anos e se apaixonou por uma mulher divorciada.
Ele se casou civilmente com a mulher, mas não podia cumprir a determinação da igreja de casar dentro dos moldes da religião, visto que a mulher já tinha se casado assim antes e o ex-esposo ainda era vivo.
Esse senhor deixou de participar de algumas coisas. Mas, como os padres que vieram para a cidade sempre perceberam sua dedicação às atividades da igreja e sua fé fervorosa, aos poucos ele foi recebendo autorizações para comungar e participar de alguns grupos até ter suas atividades normais na igreja quase que completamente. Só restaram algumas restrições mínimas.
No ano retrasado, o ex-marido de sua esposa morreu e eles fizeram o casamento católico. Mas nessa época ele já tinha mais de 70 anos. Ele diz nunca ter se sentido discriminado pela igreja. Muito pelo contrário, alguns padres elogiavam a sua atitude de se abnegar de privilégios na igreja para se casar com uma mulher divorciada que, cá para nós, passava sérias dificuldades financeiras.
Outro amigo, este TJ, foi abandonado pela esposa também quando tinha uns 40 anos. Ele foi atrás dela e conseguiu o divórcio, mas ela nunca iniciou outro relacionamento e continuou como TJ. Ele não pôde mais casar, pois a razão não era fornicação. Se manteve fiel por décadas a essas instruções de não casar. Ele aguardava que a mulher tomasse a decisão de um novo casamento. Que fique claro que o primeiro que tomasse tal atitude seria desassociado.
Pois bem, num churrasco na minha casa, há poucos anos atrás (quando ele já tinha mais de sessenta) ele tomou umas além da conta (o coitado vivia em depressão devido à solidão e começou a ter, de vez em quando alguns problemas com álcool) e então falou umas gracinhas para uma irmã, viúva, e eles se beijaram.
Ele foi desassociado. É leproso que nem nós.
Dá pra ver por que digo que é mais humana... a igreja católica se preocupa mais com o bem-estar dos seus fiéis do que com seus próprios dogmas.
Não podemos esquecer, também, que a igreja católica tem diversos programas assistencialistas, educacionais etc. que servem para ajudar efetivamente a comunidade em situação de risco imediato. _________________ Nada pode perturbar mais do que "olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa."
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